Conhecendo a confecção da Blackfit: como um maiô sai da ideia até sua mão
A gente recebe muito DM no Instagram perguntando como funciona por trás das câmeras. Porque é fácil ver a foto pronta no feed, o maiô bonito, a calcinha que fica bem — mas ninguém vê a história toda. E aqui em Praia Grande, essa história é bem legal.
Faz uns anos que decidi abrir as portas do atelier para mostrar de verdade como a gente trabalha. Não é para parecer diferente ou melhor que ninguém — é só para a gente ser honesto mesmo. A Blackfit existe porque o Cesar assumiu a loja do pai e a gente decidiu fazer as coisas do jeito certo. E fazer do jeito certo leva tempo.
Tudo começa na ideia
Nunca é só uma ideia. Eu fico observando muito — na praia, no beach tennis, na academia. Vejo mulher com reclamação de peça que não fica bem do jeito que deveria, que aperta em um lugar, que o tecido não aguenta bem o cloro ou a água salgada.
Aí a gente senta junto, o Cesar e eu. Ele vem da produção, eu estou mais ligada no que o público fala mesmo. A gente desenha, escreve as anotações com o que precisa mudar, qual tecido faz mais sentido. Às vezes levo pra mostrar para as costureiras e elas falam: "Hosana, mas assim fica ruim aqui, pensa melhor".
E sabe o que? Elas estão certas na maioria das vezes.
O tecido faz tudo
Nosso atelier aqui em Praia Grande tem o responsável que conhece cada fornecedor, cada textura, cada qualidade. A gente testa muito. A confecção própria nos permite isso — não precisa fazer pedido mínimo absurdo ou aceitar qualidade ruim porque é mais barato.
Tem peça que a gente começou com um tecido, vendeu por duas estações e depois pensou: "Não, vamos mudar. Esse aqui aguenta mais". Fiz isso com um biquíni que vendia bastante. Simples assim. O cliente final não precisa saber de tudo que a gente pensa, mas ele sente na mão quando coloca.
Tecido de praia tem que ter características bem específicas. Tem que secar rápido, tem que resistir à água salgada sem desbotear fácil, tem que não deixar marca quando molha. A gente não brinca com isso.
O corte
Depois que a gente fecha a ideia e o tecido chega, é hora de preparar os moldes. Aqui é detalhe mesmo. Cada parte de um maiô tem propósito — as costuras laterais não são só para fechar, elas têm que afinar; o decote tem que ter a profundidade certa para não ficar escrachado nem apertando a garganta; a parte de trás precisa cobrir bem sem ficar folgado.
O corte acontece com cuidado. A gente marca tudo direitinho no tecido, porque desperdício é algo que a gente tenta evitar. Você corta errado um metro de tecido, já era — ou aquela peça vai sair com defeito ou vira descarte.
Temos costureiras aqui que trabalham há anos com a gente. Elas conhecem cada detalhe, cada medida. Quando algo sai diferente do normal, elas percebem na hora.
Costura e os detalhes que ninguém vê
Agora vem a parte que separa uma peça boa de uma peça que vai virar devolução. A costura de maiô e peça de praia é técnica — não é igual costurar uma camiseta.
O elástico tem que estar tenso certo. Se ficar muito frouxo, vai andar e apertar nos lugares errados. Se ficar muito apertado, fica desconfortável e a gente sabe que mulher que malha sabe o que é passar o dia em peça desconfortável.
Tem detalhe que a gente muda porque acha que fica melhor. Literalmente. Acabei de discutir com uma das costureiras a dois dias atrás porque uma calcinha de biquíni que estávamos testando estava com a costura lateral indo para um lado que achei que podia melhorar. Ela refez. Ficou melhor mesmo.
Essa liberdade de parar, refazer e acertar — isso só existe porque a confecção é nossa. Se a gente trabalhasse com terceirizados em Blumenau e São Paulo, tipo muita marca faz, essa conversa não acontecia.
Prova e ajustes
Depois que sai da costura, a peça passa por prova. A gente veste, tira foto com luz natural, faz movimento mesmo — levanta o braço, abaixa, senta. Já chegou maiô aqui que a gente disse "não, volta". Alguns tipos de costura te fazem ficar estranho quando senta, por exemplo.
Os ajustes vêm daí. Às vezes é milímetro mesmo de diferença.
O que a gente aprendeu fazendo errado
Tem peça que a gente lançou e depois falou "não vai ser assim na próxima". Tivemos um biquíni que o tecido desbotava porque a gente tinha focado demais em ser fino e esqueceu que água salgada é agressiva. Mudamos o fornecedor de tecido e resolveu.
Outra vez, um maiô saiu um pouco muito folgado na cintura porque a gente tinha testado com poucas pessoas. Quando começou a vender para mais gente, viram que precisava ser mais justo. A gente ouviu, reformulou.
Isso não é fracasso — é aprender fazendo.
De Praia Grande para sua mão
Por isso que cada peça que sai daqui tem um cuidado. Não é porque é artesanal e pode ter "defeito natural" ou algo assim. É porque a gente acredita que você merece peça que cabe bem, que não aperta, que aguenta a água salgada e a água da piscina da academia.
A confecção aqui é pequena, mas é pensada. Temos duas lojas — uma aqui em Praia Grande mesmo e outra no Shopping Brisamar em São Vicente. Mas se você quer entender melhor o processo, quer falar sobre uma peça que você usa, quer sugerir algo diferente — estou aqui. Manda DM no @blackfitbrasil ou vem conversar comigo direto. Adoro quando alguém vem contar como usa o biquíni que comprou, se ficou do jeito que esperava.
Essa é a Blackfit. Não é perfeita, mas é honesta.



